22
jun

Foto: Reprodução / Diego Peres / Secom Amazonas

Esse é um marco, um momento que esperávamos muito. Significa que a velocidade de crescimento da curva de curados ultrapassou a velocidade de crescimento da doença,  secretário Vilas-Boas.

O secretário de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, disse em entrevista ao Jornal da Manhã desta segunda-feira (22) que, o fato do número de curados da Covid-19 ter ultrapassado o de casos ativos é um indicativo de que o estado está perto de chegar a uma nova fase da pandemia.

De acordo com o boletim da Secretaria de Saúde (Sesab) divulgado no último domingo, o estado possui 22.588 pessoas que se recuperaram da Covid-19, enquanto 22.300 ainda estão infectados. Outras 1.391 pessoas morreram.

“Esse é um marco, um momento que esperávamos muito. Significa que a velocidade de crescimento da curva de curados ultrapassou a velocidade de crescimento da doença. Estamos agora em uma fase que vamos atingir um platô. Aguardamos apenas o dia em que o número de curados por dia será superior ao número de casos novos por dia. Quando isso acontecer, a curva entrará em decréscimo. Nesse momento, ultrapassamos, estamos deixando a pior fase da doença para trás. Mas ainda temos uma taxa média de crescimento que considero elevada para o estado, isso nos projeta para o final do mês de junho apertado. Temos várias cidades no interior do estado, como Feira de Santana, Teixeira de Freitas, Valença, Gandu, que ainda estão com taxas médias muito elevadas”, analisou o secretário.

A Bahia registra, no total, 46.279 pessoas diagnosticadas com coronavírus. O boletim do último domingo indicava 975 novos casos da doença, um aumento de 2.2% em comparação ao dia anterior.

Com relação à ocupação dos hospitais, dos 887 leitos de UTI exclusivos para o coronavírus no estado, 683 possuem pacientes internados, o que representa uma taxa de ocupação de 77%. Diante do número, Vilas-Boas reforça que a flexibilização das medidas de isolamento social não é recomendada.

“Não tem nenhuma chance de fazer qualquer tipo de relaxamento do distanciamento social neste momento. Nós conseguimos chegar nessa fase agora, como sociedade, como estado, como conseguimos chegar a um momento de vencer uma fase difícil da doença, que vários estados apresentaram momentos de colapso. Nós aqui não tivemos isso. Graças a esse distanciamento social, a essa colaboração de todos. Precisamos vencer esse mês de junho, havíamos previsto que no fim de junho iriamos atingir o pico da doença. Devemos passar o mês de julho todo com um platô. Significa que ainda teremos pessoas doentes, precisando ser internadas e, lamentavelmente, falecendo. Só teremos um decréscimo da doença a partir do mês de agosto. Precisamos que todo mundo fique em casa. Principalmente essas cidades do interior, que agora apresentam um surto”, falou o secretário.

Sobre a oferta de leitos, o secretário afirmou que a Bahia ainda conta com unidades de saúde que devem ser abertas nos próximos dias. Ele citou o Hospital Clériston Andrade II, que fica em Feira de Santana e que deverá ser inaugurado na próxima semana.

“Temos preocupação em relação a Salvador, que está próxima a 80%. Mas a média no interior do estado está em 70%. Temos regiões como Vitória da Conquista, no sudoeste, em que estamos com taxa de ocupação de UTI abaixo de 60%. Estamos trabalhando para ir aumentando progressivamente o número de leitos nas cidades do interior. Estamos trabalhando para ampliar no sul, em Eunápolis e Teixeira de Freitas, na região metropolitana e em Feira de Santana, com a inauguração do Clériston II, na próxima segunda-feira. Serão mais 40 leitos de UTI. Também teremos ampliações de leitos na Fonte Nova, podendo chegar a 100 leitos. Temos um estoque de leitos que está sendo aberto progressivamente, para fazer frente a demanda”, pontuou.

Vilas-Boas também comentou a decisão do governador Rui Costa de testar estudantes, servidores e professores da rede pública dos municípios de Itajuípe, Ipiaú e Uruçuca. O objetivo é saber o nível do contágio na região. Para o secretário, a testagem possibilitará ao governo traçar uma estratégia para a retomada das aulas, que estão suspensas desde março.

“Acho que essa estratégia de fazer uma testagem e ter um inquérito epidemiológico vai nos dar um norte para decidirmos se iremos abrir agora no início de julho ou se iremos adiar um pouco”, encerrou.  Informações de Tribuna da Bahia.