09
out

Ao povo de Deus da Diocese de Barreiras – Bahia

Ao ver estampada no site do Vaticano, na manhã de hoje, a notícia da minha nomeação para Arquidiocese de Vitória da Conquista, dirijo-me aos padres, diáconos permanentes, religiosas, seminaristas, líderes das comunidades, pastorais, serviços e associações, aos homens e mulheres de boa vontade que estão no território desta Igreja Particular que tive a graça de servir desde 26 de fevereiro de 2011.

Confesso que dois sentimentos tomam conta do meu coração nesta hora: alegria de ser nomeado 3º Arcebispo da Arquidiocese de Vitória da Conquista, polo econômico-cultural importante do Estado da Bahia e a tristeza de começar a deixar Barreiras e toda a Região Oeste, solo pujante e povo tão cheio de afeto, que me acolheu durante todo esse tempo na condição de 2º Bispo Diocesano.

Quando o Senhor Núncio Apostólico, Dom Giovanni D’Aniello, me comunicou a notícia da minha nomeação, falava tão serenamente, que, interiormente, eu me senti impulsionado a responder positivamente à decisão do Santo Padre, entendendo que era um chamado Deus, ao qual, eu deveria me abandonar como no início da minha vocação. Lembrei, imediatamente, que o Cardeal Martini, então Arcebispo de Milão, concluindo o seu pastoreio na grande diocese italiana, dizia que dez anos era o tempo suficiente para o ministério de um bispo numa diocese e, em Barreiras, eu estava chegando ao 9º ano. Vieram também à minha mente as palavras do Papa Bento XVI, ao encerrar a sua missão: “Amar a Igreja significa também ter a coragem de fazer escolhas difíceis, dolorosas, tendo sempre diante dos olhos o bem da Igreja e não a nós mesmos” (Bento XVI, 27 de Fevereiro de 2013).

Então, agradeço a Deus por ter me concedido a graça de vir para Barreiras e em oito anos e sete meses ter me dado vida e saúde para desenvolver o meu ministério em favor do povo desta enorme região do Oeste da Bahia. Em Barreiras, Deus me assistiu em todos os momentos. Não tenho o que reclamar.

Enriquecido pela experiência desses anos, pelos seus acertos e desacertos, aceitei a nomeação para Vitória da Conquista, pensando que Deus estava me dando uma nova chance e oferecendo-me uma possibilidade para aperfeiçoar mais o meu serviço em favor de seu povo em tempos de fortes desafios e oportunidades num mundo cada vez mais urbano (CNBB, Doc. 109, DGAE 2019-2023).

Salvador, Barreiras e agora Vitória da Conquista se constituem um interessante itinerário missionário. Deus está fazendo de mim um apostolo de vários territórios e povos dentro dos limites do Estado da Bahia, onde tive a graça de nascer. Então, devo prosseguir para poder continuar realizando o propósito de minha ordenação episcopal: “Tu, porém, PROCLAMA A PALAVRA, insiste, no tempo oportuno e inoportuno, refuta, ameaça com toda paciência e doutrina” (II Tim 4,2).

A partir de hoje, segundo o ordenamento da Igreja Católica, sou “Arcebispo Eleito de Vitória da Conquista” e “Administrador Apostólico da Diocese de Barreiras”.

“Em caso de transferência do Bispo diocesano, a sé torna-se vacante no dia em que o Bispo transferido toma posse da nova diocese. A partir do momento da publicação da transferência do Bispo até a tomada de posse da nova diocese, o Bispo tem poder de Administrador diocesano, com as relativas obrigações. As faculdades do Vigário Geral e dos Vigários Episcopais, ainda que a Diocese não seja ainda vacante, cessam com publicação da transferência do Bispo; mas este, na qualidade de Administrador diocesano, pode confirmar as faculdades deles” (Diretório dos Bispos, n. 233).

Então, estão confirmadas as funções constantes neste dispositivo canônico.

A partir do momento em que se verificar a vacância, isto é, no dia da minha posse em Vitória da Conquista, que esperamos para 14 de dezembro, o governo da Diocese de Barreiras passará para o Colégio de Consultores até que seja eleito o Administrador diocesano ou o Santo Padre disponha de outro modo (cf. Diretório dos Bispos, n. 235).

Agradeço de coração a todas as pessoas que nesses anos estiveram ao meu lado e me ajudaram a exercer o meu serviço episcopal. Desde já, ao povo de Barreiras e da região, peço perdão pelos meus defeitos e pelas vezes que não correspondi ao que se esperava de um pastor e guia do povo de Deus.

Que a Mãe do Evangelho Vivente interceda por todos! Que São João Batista e todos os padroeiros e titulares da Diocese de Barreiras estejam conosco nesta hora tão difícil, mas também abençoada.

Em Cristo Jesus,

DOM JOSAFÁ MENEZES DA SILVA
ADMINISTRADOR APOSTÓLICO DA DIOCESE DE BARREIRAS

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