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Sobre a reforma do secretariado do governo de Rui, Otto afirmou que o governador ainda não tratou de nomes, mas o pessedista defendeu a permanência de seu aliado, Marcus Cavalcanti, na Secretaria de Infraestrutura (Seinfra)

Ao ressaltar que não tem a ambição de ser candidato ao governo da Bahia em 2022, o senador Otto Alencar (PSD) sugeriu, ontem, que a sua força política daqui a quatro anos definirá se será postulante ou não à sucessão de Rui Costa (PT). “Não tenho isso [de ser candidato] na minha cabeça. Vocês sabem que eu não sou de ter ambição. As coisas acontecem na minha vida porque acontecem. Não de eu pensar em ser candidato. Até porque, são quatro anos. Não depende da vontade pessoal de absolutamente nenhum político. Depende de outras atenuantes. Depende do destino, de Deus. Não tenho essa pretensão”, declarou, em entrevista à rádio Metrópole.  “A época é que define o seu poder político. Você tem que saber se avaliar. Não tenho essa ambição. Brincando, eu digo o seguinte: será que não vai surgir um professor pardal, um inventor, que possa criar uma balança política que o cara possa subir na balança e dizer ‘eu só tenho mil votos’. O pior sujeito da política é o cara que é vintém, como eu sou, e pensa que é milhão”, acrescentou.

Sobre a reforma do secretariado do governo de Rui, Otto afirmou que o governador ainda não tratou de nomes, mas o pessedista defendeu a permanência de seu aliado, Marcus Cavalcanti, na Secretaria de Infraestrutura (Seinfra). Nos bastidores, o comentário é de que o PP – partido do vice-governador da Bahia, João Leão – também pleiteia o posto. “Marcus é um ótimo quadro. Um excelente secretário. Teve um ótimo desempenho. De alguma forma, ele deve ser aproveitado. Se ele está dando certo na Seinfra, retirar de lá não é muito bom. É aquele negócio. Está ganhando não mexe no time. É opinião pessoal. Não é do governador. Se ele modificar e colocar o Marcus em outro lugar, vamos conversar, aceitar e discutir. Não tem problema”, pontuou.

Otto também falou sobre o governo de Jair Bolsonaro (PSL). Prometeu que fará oposição responsável e disse que votará a favor de matérias do governo, caso seja “condizentes com aquilo que o povo brasileiro” deseja. O senador ressaltou, no entanto, que não irá aceitar eventuais retaliações do capitão reformado à Bahia. Especula-se que o estado pode sofrer represália já que a maior parte do eleitorado votou em Fernando Haddad (PT) na corrida presidencial, que foi adversário de Bolsonaro. “Vamos reagir como reagimos a Temer. Trabalhei muito contra o Temer. O Temer marcou muito o Rui”, pontuou.

O senador voltou a defender a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Para ele, a petista não cometeu crime de responsabilidade e não poderia sofrer impeachment. Otto, no entanto, disse que Temer deixou a situação do país em melhor estado do que recebeu, apesar do “desempenho muito pífio” de Henrique Meirelles no Ministério da Fazenda. “[Meirelles] entregou o governo para Bolsonaro em melhor condição do que o Temer recebeu da Dilma. Isso é uma realidade. Eu votei contra o impeachment, mas tem que se reconhecer que Dilma, quando entregou para Temer, o PIB estava no recuo de 3,8%. O dólar disparando e a inflação crescendo. E não tinha nenhuma perspectiva”, ressaltou, ao defender que as reservas do Brasil no exterior sejam utilizadas para construir obras. “Faz o dinheiro circular que o emprego aparece. […] Se o dinheiro não circular, o estado não avança”, salientou.

Ainda na entrevista, Otto disse que seu partido vai apoiar Rodrigo Maia (DEM) na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados. Já no Senado, segundo ele, a eleição ainda está “nebulosa”. “Só vai clarear na última hora no dia 31 de janeiro. […] Nenhum partido quer ficar fora da aliança que vai ter a vitória no Senado, porque, se ficar fora da aliança, não vai para nenhuma comissão importante, como a de Constituição e Justiça”, pontuou.

Blog do Boka/ Tribuna da Bahia