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Pacientes que precisam da ivermectina para tratar doenças como a escabiose (sarna humana) não estão encontrando o medicamento na farmácia. O motivo é crença infundada na eficácia do composto para tratar a Covid-19, que está gerando uma corrida para comprá-lo.

De acordo com o portal R7, que consultou os sites de grandes redes de drogarias, não há disponibilidade do remédio em nenhuma delas. Mesmo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tendo se pronunciado afirmando que não existe evidências científicas de que a ivermectina funcione na profilaxia ou no tratamento da Covid-19, as pessoas têm procurado o medicamento com essa finalidade.

A escabiose é uma doença de pele causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei. O parasita pode ser transmitido pelo contato íntimo ou por materiais como lençol ou estofados que a pessoa infectada acabou de sentar/deitar, e causa lesões com coceira intensa.

Os médicos afirmam que a ivermectina é o tratamento mais eficaz contra a escabiose. Quando não há disponibilidade dele, os pacientes são obrigadados a manipular uma loção demorada, que é difícil de encontrar.

“Tem um tratamento tópico que faz com permetrina tópica — que é uma solução alcoólica para piolho. Mas quando usa essa permetrina alcoólica na pele de pessoas com sarna, arde muito. Então, tem que manipular a permetrina em loção, e nem todas as farmácias possuem”, afirma Regina Casz Schechtman, coordenadora do Departamento de Micologia da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia).

Na última semana, a Anvisa proibiu as farmácias de todo o país de venderem ivermectina ou hidroxicloroquina, outra que sumiu do mercado após ser propagada sem fundamento como “cura milagrosa”, sem a apresentação de receita médica.

“A ivermectina serve não só para sarna, serve para estrongiloidíase, para lombriga ascaridíase, para pilho, para um monte de coisas… todas essas parasitoses que são muito comuns aqui no Brasil”, completa Regina.

Apesar de possuir poucos efeitos colaterais, a ivermectina pode causar em algumas pessoas quadros de diarreia, náuseas, dores abdominais e urticária. Informações de Bahia Notícias.