07
nov

Maria Amélia foi morta dentro da creche
(Foto: Reprodução)

A técnica em enfermagem aposentada Maria Amélia Santos, 63 anos, foi assassinada por um homem que roubou dois botijões de gás, de acordo com as filhas da vítima. Maria Amélia foi assassinada dentro da Creche Escola Menino de Jesus, no Arenoso, da qual era dona. A idosa que, segundo a família, se sentia segura em morar sozinha no local, foi encontrada por uma das filhas, por volta de 22h de domingo (6).

Um jovem de prenome Eric, que já foi atendido pela creche, é apontado pela polícia como principal suspeito de ser o autor do crime. Segundo a filha da idosa, a professora Maria Cristina dos Santos, 44, Eric foi expulso do Arenoso por moradores após tentar roubar uma casa, há cerca de 4 anos.

“Ele se alimentava aqui, ele e um sobrinho, nós nunca pensamos nisso, porque ele parecia ser um rapaz de bem”, relatou Cristina, acrescentando que Eric era usuário de drogas e atualmente morava no Bairro da Paz.

As filhas afirmam que ele foi visto por duas testemunhas saindo da instituição, com dois botijões de gás, por volta de 21h30. “Ele estuprou, matou e roubou dois botijões de gás, tenho certeza que ele teria voltado para roubar outras coisas, mas chegamos antes”, afirmou Maria Cristina.

O terreno onde funciona a creche foi doado à idosa há 28 anos, quando ela ainda era líder comunitária no bairro. O local, que sobrevive apenas de doações de pessoas físicas, atende cerca de 83 crianças, jovens e adolescentes – que contam com educação infantil, básica e reforço escolar. “A gente não pode deixar o sonho dela morrer”, afirmou a professora, garantindo que a instituição não vai fechar as portas.

O crime
A técnica aposentada foi encontrada pela filha mais nova, a também professora Patrícia Emanuela Santos, 28, sobre a cama, dentro de um quartinho nos fundos da creche. Patrícia contou que quando foi para a igreja, por volta de 19h, passou pela frente da Menino de Jesus e notou que o portão da entrada estava aparentemente torto.

Quarto da idosa foi encontrado revirado pela família
(Foto: Tailane Muniz/CORREIO)

Ela estava com uma filha de 4 anos e o marido, que se aproximou e fechou o portão, sem notar nada estranho. “Quando eu voltei da igreja, era por volta de 22h, vimos que, de novo, o portão estava entreaberto. Nos aproximamos e fechamos, depois seguimos pra casa. Quando chegamos perto, minha filha indagou ‘mãe, quem era aquela pessoa na escada da creche?'”, relatou ela, justificando que só voltou para o local depois da observação da filha.

Ao chegar, Patrícia foi direto para os fundos, onde a mãe costumava dormir, e encontrou a porta e a janela fechadas. “Achei estranho porque ela dormia com as luzes acesas e a TV ligada. Só lembro dela nua, deitada naquele colchão, cheia de sangue e com o rosto bem inchado”, disse, chorando muito. A princípio, Patrícia pensou na possibilidade da mãe ter passado mal, já que Maria já havia sofrido quatro AVCs (acidente vascular cerebral).

Com esperança de salvar a mãe, a professora ligou para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que chegou no local e acionou a polícia. Segundo a filha, a polícia foi quem informou à família que eles estavam, na verdade, diante da cena de um crime. “Eu não vi nenhuma arma, nem nada assim, mas ela tinha um ferimento na cabeça”.

Segundo as filhas, a polícia encontrou no local vestígios de maconha e um copo com cachaça. “Eu acredito que ele tenha chegado por volta de 18h30, porque fez tudo com muita tranquilidade e frieza, fumou, bebeu, estuprou”, disse Patrícia, que foi amparada pela irmã mais velha. O crime está sendo investigado pela delegada Jamila Cidade, da Delegacia de Homicídios Central, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Maria Amélia era separada e deixa três filhos. “Nós nos formamos professoras para ajudar na creche, porque era o sonho dela e se tornou o nosso, também”, salientou Maria Cristina. A idosa vai ser enterrada nesta terça-feira (8), às 10h, no Cemitério Municipal de Periperi.

Fonte Correio 24h