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O Palácio do Planalto trabalha para que o deputado federal Antonio Imbassahy (PSDB) seja nomeado ministro-chefe da Secretaria de Governo em 3 de fevereiro, um dia após a eleição para o comando da Câmara. Ao deixar para o mês que vem a posse do tucano na Esplanada, o núcleo-duro do governo Michel Temer quer eliminar obstáculos à reeleição do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), entre líderes da base que resistem à ideia de Imbassahy no controle da articulação política e preferem outros nomes do PSDB, como o deputado paulista Carlos Sampaio. No mesmo compasso, o Planalto ganha tempo para negociar com caciques do PMDB que pressionam Temer a manter parte do órgão nas mãos de aliados do ex-ministro Geddel Vieira Lima.

Conta fechada
Deputados federais da Bahia com trânsito livre no gabinete presidencial calculam que Rodrigo Maia já agregou apoio suficiente para se reeleger com tranquilidade. Pelas contas de parlamentares ouvidos pela Satélite desde o início da semana, Maia garantiu os votos fechados do DEM, PSDB, PP, PR, PSB e de grande parte do PMDB. No PSD, o presidente nacional da sigla, ministro Gilberto Kassab (Ciência, Tecnologia e Comunicações), orientou sua tropa de choque no Congresso a encampar a candidatura do democrata e largar à deriva o líder do partido na Câmara, Rogério Rosso (DF). Em movimento semelhante, a maioria do PTB caminha para se unir a Maia e isolar o líder da legenda na Casa, Jovair Arantes (GO), que também colocou o nome no páreo.

Má digestão
O ministro da Saúde, Ricardo Barros, ganhou a antipatia dos governistas da bancada baiana em Brasília durante sua passagem em Salvador. O clima azedou de vez ontem, depois que Barros visitou o Hospital Aristides Maltez de ombro colado com três deputados federais que votaram contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff: Afonso Florence (PT),  Antonio Brito e Paulo Magalhães, ambos (PSD).  “A irritação é grande. Recebi inúmeras ligações de aliados insatisfeitos com o ministro. Como é que ele não convida nenhum parlamentar do nosso grupo e aparece aqui junto com o pessoal do ‘Fora, Temer’?. O único político da base na comitiva foi ACM Neto (DEM), talvez por ser prefeito da capital. Isso não vai ficar barato. Vamos levar o assunto ao conhecimento do presidente”, queixou-se Benito Gama (PTB).

Aspa
“A fé é uma decisão de foro íntimo e ela não pode ser de jeito nenhum confundida com os atos administrativos da esfera do interesse público”, Lídice da Mata, senadora e presidente do PSB da Bahia, ao recomendar que o prefeito de Guanambi, Jairo Magalhães (PSB),  revogue o decreto em que entrega o comando da cidade a Deus.

Capitão em campo
O senador Otto Alencar (PSD) assumiu pessoalmente a coordenação da campanha do correligionário Ângelo Coronel à presidência da Assembleia Legislativa. Ontem, Otto começou a ligar para cada um dos deputados estaduais com quem tem proximidade, na tentativa de convencê-los a votar no candidato do PSD em fevereiro, data da eleição. Para interlocutores próximos ao senador, a investida tem como pano de fundo o temor de Otto em ficar isolado entre a bancada governista e a oposição.

Fala que te escuto!
Além de Otto Alencar, o presidente da Assembleia, Marcelo Nilo (PSL), intensificou o cerco sobre deputados estaduais. Telefona diariamente para deputados e oferece ajuda no que for preciso. Quem conhece Nilo há tempos garante que, embora ele seja sempre aberto a ouvir demandas apresentadas pelos parlamentares, nunca o viu tão solícito quanto agora. A avaliação é  que o grau de disponibilidade aumentou à medida em que cresceram também os sinais de dificuldade para sua reeleição.

Fonte: Correio 24hs