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Em Brasília, colégios públicos servem pipoca como prato principal das crianças. Na cidade de São Paulo, o diretor de uma escola municipal manda marcar com caneta a mão das crianças que já lancharam, para impedir que voltem para a fila e comam outra vez.

No estado de São Paulo, uma CPI investiga propinas milionárias pagas na aquisição do lanche para colégios estaduais. Em Bom Jardim (MA), a prefeita acusada de embolsar verbas da merenda escolar e exibir nas redes sociais sua vida luxuosa ganha a alcunha de “prefeita ostentação”.

Em Duque de Caixas (RJ), a compra de cenouras feita pela prefeitura para a alimentação escolar é tão exagerada que elas, antes que apodreçam, são  empurradas para as famílias dos alunos.

Problemas como esses, que prejudicam tanto o orçamento público quanto a nutrição dos estudantes, são recorrentes no noticiário. Eles se explicam, em parte, pelo gigantismo do Programa Nacional de Alimentação Escolar, o que dificulta a fiscalização.

Por meio do programa, o Ministério da Educação (MEC) investe bilhões de reais para que diariamente haja merenda em nada menos do que todas as escolas públicas do Brasil — as municipais e as estaduais, da creche ao ensino médio.

O dinheiro federal vai para os 5.570 prefeitos e os 27 governadores, responsáveis pela compra dos ingredientes a serem usados no preparo dos pratos servidos aos estudantes. No ano passado, o MEC aplicou R$ 3,9 bilhões.

Devido à capilaridade e à descentralização do programa, o ministério não tem braços suficientes para vigiar o destino que cada governante dá à verba. Tal missão é confiada aos 5.597 Conselhos de Alimentação Escolar — um para cada prefeitura e governo estadual.

Os conselhos são formados por representantes da sociedade e do poder público, que trabalham de forma voluntária, sem salário.