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O deputado federal Arthur Maia aposta que na eleição do próximo ano haverá um enfraquecimento do PT, legenda do governador Rui Costa

O deputado federal Arthur Maia (DEM) aposta que na eleição do próximo ano haverá um enfraquecimento do Partido dos Trabalhadores, legenda do governador Rui Costa (PT). “Em 2016, a esquerda estava muito forte no Brasil. Agora, há um pensamento muito mais liberal. Há um pensamento muito mais de direita que se coloca nos municípios. Nós vemos as pessoas assumirem esses valores e rejeitarem aquelas propostas muito mais socializantes do PT de uma maneira clara. É isso que o eleitorado quer e demonstrou isso claramente nas ruas. Então, nós teremos a eleição onde a força do PT vai diminuir e os partidos de centro e direita tendem a se fortalecer. Essa daí parece ser a mudança mais clara”, afirmou, em entrevista à Tribuna.

O democrata ainda fez duras críticas ao governo Rui Costa (PT). Para ele, é um “gigolô das obras federais”. “Não existe nenhuma obra importante a ser apresentada pelo PT na Bahia em 13 anos de governo com os recursos próprios. Não existe. Eles sempre se aproveitaram disso. Foi assim durante o governo Lula e Dilma. E natural que fosse porque era o governo do PT, depois durante o governo Michel Temer. Eles continuaram se apropriando das obras federais e inaugurando obras federais como se deles fossem, quando na verdade essas obras pertencem ao governo federal. Isso porque Temer não tinha respaldo popular. O próprio presidente se sentia pouco à vontade para vir aqui em algumas obras e consequentemente foram apropriadas. Agora, no governo Bolsonaro, mudou porque o presidente Bolsonaro sempre traz consigo também uma parcela de pessoas que o apoio”, ressaltou.

Tribuna – O senhor foi relator da reforma da Previdência no governo Temer. Como o senhor avalia essa reforma que foi aprovada no final do semestre passado na Câmara Federal?

Arthur Maia – São propostas muito semelhantes, mas sem dúvida alguma essa proposta que foi aprovada é mais dura. Usando uma expressão que o ministro Paulo Guedes cunhou, essa reforma tem uma potência fiscal mais forte. Ou seja, consegue economizar mais. Obviamente, quando ela consegue economizar mais, ela retira alguns benefícios que hoje são dados e não serão dados a partir da aprovação. Então, é bem semelhante na medida que consta que não retira nada do direito do trabalhador rural, estabelece idade mínima. Mas a regra de transição é mais dura. Isso se justifica porque o governo tem apoio popular. É recém-eleito e tem tido condição de avançar em uma proposta mais ousada para tentar enfrentar o sério problema déficit da Previdência.

Tribuna – O senhor votou favoravelmente. Que equívocos aponta no texto? Ainda há  gargalos?

Arthur Maia – O que muito se debate e deve ser debatido no segundo turno é a questão de professores e policiais, que têm aposentadoria especial. Muita gente considera que são pontos que criam uma certa desproporção em relação a outros trabalhadores. Professores e policiais tiveram tratamento muito favorável em comparação com os demais trabalhadores brasileiros. Isso certamente será tratado.

Tribuna – Qual sua expectativa para a votação do segundo turno?

Arthur Maia – O presidente Rodrigo Maia marcou para esta semana, terça, quarta e quinta-feira, para votar a reforma da Previdência. Então, eu acredito que será suficiente para votar a reforma. Além disso, nós teremos um placar muito semelhante ao que aconteceu no primeiro turno. Algo de 360, 370, 380 votos. Acho que vamos ter o mesmo número. Se a gente olhar o histórico de votação, a variação é muito pequena. Realmente, acredito que no segundo turno teremos placar muito semelhante.

Tribuna – Que mudanças poderão acontecer ainda texto a ser aprovado pela Câmara?

Arthur Maia – Não acredito que teremos mudanças. O que foi decidido já foi decidido. Há uma promessa do Senado – não é o oficial – para incluir estados e municípios. A tramitação agora funciona da seguinte maneira: o que for aprovado na Câmara vai para o Senado. Se o Senado modificar um ponto, dois pontos, volta para a Câmara. Mas, apenas os pontos que o Senado modificou. E a Câmara vai dar a palavra final. E a gente vai ver o que o Senado vai mudar.

Tribuna –  Qual a expectativa para inclusão dos estados e municípios ao chegar no Senado?

Arthur Maia – O Senado é livre para votar e pode modificar o que a Câmara fez. Neste caso, a iniciativa da matéria foi na Câmara dos Deputados. O ponto que o Senado modificar volta para a Câmara. O resto já está aprovado. Isso é que determina o regimento interno.

Tribuna – O Planalto venceu todas as resistências? Falta ainda se comunicar melhor com a população?

Arthur Maia – Não há dúvida que hoje há um clima muito mais favorável de quando eu fui relator. Modéstia à parte, acho que cumpri papel importante no sentido que debatemos este tema. A nossa posição veio em um momento muito difícil, porque o governo Temer tinha uma aprovação popular muito baixa e estávamos às vésperas da eleição. Em regra, os políticos não gostam de debater temas polêmicos em período pré-eleitoral. E nós enfrentamos tudo isso. Mas fizemos isso com muita determinação. Eu não  faço essa conta casuística, simplória.  Esse papel que nós fizemos ajudou muito a quebrar paradigmas que eram muito firmes contra a reforma da Previdência. Depois da eleição, o discurso do Bolsonaro foi de uma defesa maior ainda. Hoje, a maioria da população defende a reforma da Previdência. Então, acho que houve uma vitória da batalha. Vencer uma batalha da comunicação depende do humor das pessoas, e o momento político hoje é favorável às reformas, em particular, à reforma da Previdência. Quando eu fui relator havia uma resistência e uma animosidade em relação à reforma do presidente Temer.

Tribuna – A queda da popularidade do presidente não afeta em votações como essa?

Arthur Maia – Francamente, acho que o presidente tem uma prática política diferente de outros presidentes. Nos acostumamos ao longo da vida a assistir a um presidente que faz discurso para a maioria. Sempre foi assim. O presidente Bolsonaro faz um discurso para aquela faixa de eleitores ligada a ele. E apresenta 20%, 25% [de apoio] o que o leva para um eventual segundo turno. E no segundo turno tenta decidir na medida em que ele se coloca como contraponto a tudo que o PT representa. Então, me parece natural que o presidente que faz um discurso para uma minoria ganhe uma eleição em que pessoas votaram mais contra o PT do que nele, esses eleitores tenham mais volatilidade. E ele perde apoio popular, mas de qualquer maneira a gente percebe que há uma quantidade significativa de gente apoiando o governo Bolsonaro.

Tribuna – Acha que a eventual indicação de Eduardo Bolsonaro para Embaixada americana pode influenciar a votação no Senado?

Arthur Maia  – Não sei. Não fiz essa avaliação. Acho que sem nenhum demérito ao deputado Eduardo Bolsonaro, que é um jovem preparado, penso que essa nomeação não foi boa para o conjunto do governo. Abre uma série de críticas. Isso prejudica o governo. Mas não acho que isso será uma influência na votação. Penso que não. No Senado, se sabe que a reforma precisa ser aprovada e acho que os senadores não vão faltar ao Brasil em uma hora dessa independente da indicação do deputado Eduardo Bolsonaro ou não para a chancelaria do Brasil nos Estados Unidos.

Tribuna – Como avalia o governo Bolsonaro?

Arthur Maia – É um governo que começa a ter uma proposição muito clara. O poder amadurece. O presidente Bolsonaro começa a amadurecer na relação com o Congresso Nacional. Acabou essa distinção da velha e nova política. Isso que faz parte do discurso da campanha e ficou para trás. Acho que ele está evoluindo. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, tem cumprido um papel importante. Mas ainda acho que o governo precisa ter uma direção mais clara. Uma direção nítida de onde quer chegar. É ruim terceirizar tudo para o Paulo Guedes, que tem uma postura muito liberal que acho que não é muito boa neste momento. Esse radicalismo liberal. O Brasil é um país que precisa da intervenção do governo. É um país que precisa sim de uma intervenção principalmente na área social.

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