23
ago
Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

O governo federal divulgou na última quinta-feira (15) uma cartilha com orientações para prefeitos e governadores implementarem a Política Nacional de Alfabetização (PNA), um decreto publicado em abril, assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL). Secretário municipal de Educação (Smed), Bruno Barral afirmou que Salvador ainda não teve acesso ao texto.

“Eu ainda não vi nada como política nacional de alfabetização. A gente ainda não foi apresentado pelo governo sobre o que seria a política pública no Brasil como um todo. Eu acho que toda política pública, quando se implementa, tem que passar pelo público como um todo. E tem pontos que podem ser positivos aqui, e negativos lá. Acho que esse processo tem que ser discutido, amadurecido com diálogo e com construção democrática, e não com imposições. Mas eu não acho que o governo federal queira impor”, afirmou, em entrevista ao Bahia Notícias.

Para o secretário, é necessário que o PNA leve em consideração as heterogeneidades culturais e geográficas dos estados e municípios do Brasil. “A palavra é gradualismo. A gente precisa olhar as políticas e sugestões com gradualismo. Não podemos colocar tudo de vez. Temos que implementar através de pequenos grupos, e aí você vê se dá certo: medindo, testando e ampliando, até para você não desperdiçar dinheiro e não ficar como ocorre no resto do Brasil, ou em locais que não se tem uma política educacional bem sucedida”, pontuou.

Na visão do titular da Smed, as modificações na educação brasileira não podem ser tratadas como solucionáveis num curto espaço de tempo. “Não tem bala de prata na educação. Não tem aquele negócio: ‘ah, eu tenho uma solução que vai resolver o seu Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica], uma solução que vai resolver a sua evasão’. Isso é senso comum dos educadores e pensadores de educação do Brasil que eu tenho conversado”, opinou.

Segundo Barral, Salvador já tem uma política de alfabetização estabelecida, “inclusive elogiada pelo Ministério da Educação (MEC)”. “A gente já tem um política nossa de alfabetização aqui no município. Não existe nenhuma proposta de convergência do governo federal para os estados e municípios. Tanto que conversei com o secretário nacional de alfabetização, a conversa era muito de a gente estabelecer diretrizes e um norte curricular para auxiliar o processo de alfabetização em cidades que não possuem bons índices”, concluiu.

#Blog do Boka/ Bahia Notícias