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Discurso da Vereadora Decíola Baqueiro (União Brasil)

Discurso da Vereadora Decíola Baqueiro (União Brasil)

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Foto Reprodução CMB

Bom dia a todos.

Quero cumprimentar o nosso excelentíssimo presidente, Yuri Ramon, estendendo também os cumprimentos à doutora Graça, vereadora, e a toda a mesa diretora. Cumprimento ainda meus colegas vereadores e vereadoras, a plenária aqui presente — em especial a Miquei, que hoje acompanha a votação da doação do terreno — e reforço que pode contar com o nosso apoio.

Registro também que, conforme mencionado pela vereadora Delma, essa demanda foi encaminhada pelo vice-prefeito Túlio, que inclusive indicou a apresentação do projeto de lei. Tenho certeza de que vocês serão agraciadas com a cessão do terreno. Aproveito para destacar que, dentro das nossas emendas impositivas, destinamos uma pequena quantia para fortalecer o trabalho da instituição, contribuindo para que possam ampliar o atendimento e alcançar ainda mais pessoas.

Cumprimento também a imprensa e faço uma saudação especial ao jornalista Luiz Carlos, pela excelente matéria sobre a Campanha da Fraternidade. Participei do lançamento na última sexta-feira e reforço aqui a necessidade de unirmos esforços nesta Casa em torno de um projeto que fortaleça essa campanha, especialmente no tema da moradia. Neste fim de semana, recebi diversas mensagens de pessoas enfrentando dificuldades: casas inacabadas, famílias pagando aluguel e tantas outras situações que demonstram a urgência dessa pauta. Inclusive, compartilhei essas preocupações com Dom Moacir, destacando a importância de um esforço conjunto para apoiar essas pessoas.

Senhor presidente, passo agora a tratar do projeto de alteração do nome da Escola Presidente Médici para o nome da professora Branca. Quero deixar claro, antes de tudo, que tenho profunda admiração e carinho pela professora Branca. É uma amiga pessoal, alguém que fez parte da minha história desde a infância. Conheço sua trajetória, sua dedicação como educadora, sua força como mulher e mãe. Criou seus filhos com dignidade e excelência, e isso é digno de todo reconhecimento. Inclusive, estive recentemente com o prefeito Antônio e solicitei que uma nova escola pudesse receber o nome da professora Branca, como forma de justa homenagem — e fui prontamente atendida. No entanto, preciso ser coerente com aquilo que defendo. Minha posição contrária a este projeto não tem absolutamente nenhuma relação com o nome da professora Branca, mas sim com um princípio: sou contra o revisionismo de nomes de prédios públicos. Recentemente, tivemos mudanças em logradouros da nossa cidade, e fui uma das vozes críticas. Não por desmerecer pessoas, mas por entender que esses espaços carregam história, identidade e memória coletiva. Mesmo quando se trata de figuras controversas — como no caso de nomes ligados ao período da ditadura militar, que todos nós repudiamos — acredito que esses marcos devem servir como instrumentos educativos. Eles nos permitem refletir, debater e aprender com a história, inclusive com seus erros. Apagar nomes pode significar, também, apagar oportunidades de reflexão. Além disso, existe uma questão prática e simbólica: prédios públicos com décadas de existência já estão incorporados ao cotidiano da cidade. São referências para localização, para a vida urbana, para a identidade da população. Alterar esses nomes abre precedentes perigosos. Hoje se muda por um motivo, amanhã por outro. E assim, corremos o risco de transformar a memória da cidade em algo instável, sujeito a mudanças constantes. Cito aqui, inclusive, o caso da Escola da Boa Sorte, onde houve preocupação da comunidade quanto à possível retirada do nome de Seu Tiquinho — um homem que fez história local. Situações como essa mostram o quanto esse tema é sensível.

Por isso, reafirmo: minha posição é de coerência com o que sempre defendi. Não posso votar a favor hoje por afinidade pessoal, se amanhã posso ser chamada a mudar de posição diante de um novo caso semelhante. Quero, inclusive, me dirigir à família da professora Branca, em especial à Marisa, para reafirmar meu respeito, carinho e admiração. Reconheço a dor da perda e a grandeza da história construída por sua mãe. Minha posição não diminui em nada essa homenagem — pelo contrário, acredito que ela pode e deve acontecer de forma igualmente digna, em um novo equipamento público. Finalizo dizendo que este posicionamento não tem qualquer motivação política. Trata-se de uma convicção pessoal, construída ao longo da minha trajetória, baseada na coerência que procuro manter em todos os meus atos. Agradeço a compreensão de todos. Muito obrigada.

Vereadora Diciola Baqueiro  

Geraldo Bomfim/ Site Blog do Boka

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