Pronunciamento na Câmara da Vereadora Delma Pedra (PSD)
Foto Reprodução CMB
Bom dia a todos.
Quero cumprimentar o senhor presidente Yuri Ramon, os colegas vereadores e vereadoras, os servidores desta Casa, e também todo o público presente. De forma especial, cumprimento Márcio, Carla, do povoado da Baraúna, que está aqui conosco, a presidente Damique Vonetti, Pereira, Luiz, a associação aqui representada pelo senhor Wanderley, além de todos que nos acompanham pela TV Câmara, Rádio Câmara e pelas redes sociais.
Senhor presidente, quero iniciar com uma reflexão simples: quantas vezes medimos as pessoas por padrões que existem apenas dentro das nossas próprias cabeças?
No último dia 21 de março celebramos o Dia Mundial da Síndrome de Down. Essa data não é por acaso — ela faz referência ao cromossomo 21, já que a síndrome ocorre pela presença de um terceiro cromossomo nesse par.
Mas hoje não quero falar apenas da parte técnica. Essa data existe para nos lembrar de algo essencial: inclusão não é favor, inclusão é direito.
É verdade que avançamos muito nas leis. Temos, por exemplo, o Estatuto da Pessoa com Deficiência, que garante acesso à educação, à saúde e ao trabalho. No entanto, a lei sozinha não transforma tudo. O que realmente muda é o nosso olhar, é o nosso comportamento no dia a dia, é a forma como tratamos e acolhemos as pessoas.
E é aí que entra o nosso papel nesta Casa. A inclusão não pode depender apenas da boa vontade individual — ela precisa se tornar prática, precisa se consolidar como política pública efetiva.
Ainda existem muitas portas fechadas, e isso não deveria acontecer. Por isso, quando tratamos desse tema aqui, não é apenas para marcar uma data, mas para garantir que a inclusão esteja presente nas decisões, nos orçamentos e nas prioridades.
Também não posso deixar de destacar algo muito importante: em Barreiras, contamos com organizações que realizam um trabalho admirável na inclusão. São entidades que, muitas vezes com poucos recursos, mas com enorme compromisso, fazem o que o poder público ainda não consegue fazer sozinho.
Quero reconhecer o trabalho de instituições como a APAE de Barreiras, a Mickey e tantas outras organizações que atuam diariamente com dedicação, acolhimento e respeito. E mais do que reconhecer, é nosso dever fortalecê-las, apoiá-las e construir parcerias para que esses trabalhos continuem crescendo.
E é justamente nesse contexto que aproveito este momento para destacar um projeto de lei de minha autoria, que será votado hoje.
Esse projeto nasce da realidade que vivemos. Trata-se de um imóvel público que, no passado, foi destinado a uma organização que nunca cumpriu sua função — inclusive, essa entidade já não existe juridicamente.
O que estamos propondo é corrigir essa situação: trazer esse imóvel de volta ao município e destiná-lo a quem realmente pode transformá-lo em benefício para a população.
Há o interesse do gestor municipal em destinar esse espaço à Mickey, uma instituição de referência em Barreiras e em toda a região, com 23 anos de atuação na defesa dos direitos das pessoas com deficiência, especialmente em idade produtiva.
Hoje, são 47 pessoas atendidas com ensino especializado, mais de 250 pessoas já capacitadas em cursos de Libras, e a previsão de abertura de 50 novas vagas para formação de profissionais de apoio escolar ainda este ano.
A Mickey também atua diretamente na inclusão no mercado de trabalho, apoiando empresas no cumprimento da lei de cotas e criando oportunidades reais.
A futura destinação desse terreno permitirá a ampliação da sede, melhoria dos atendimentos, oferta de um espaço mais digno e, principalmente, a saída do aluguel. Além disso, já há apoio do Ministério Público do Trabalho, com recursos previstos para a construção.
Ou seja, estamos diante de uma oportunidade concreta de fortalecer uma instituição séria e ampliar um trabalho que já transforma vidas todos os dias.
Por isso, peço o apoio dos colegas vereadores para a aprovação deste projeto.
Também gostaria de destacar algumas indicações apresentadas.
Solicitei o aproveitamento de espaços ociosos nas escolas municipais para implantação de creches e cursos profissionalizantes. Tivemos recentemente uma experiência muito positiva na escola Itaraju, onde foi possível ofertar cursos na própria comunidade, facilitando o acesso, especialmente para as mulheres. Isso é levar o serviço para perto das pessoas.
Solicitei ainda a instalação de iluminação pública na Rua Blumenau, no bairro São Miguel, importante via de acesso à UPA, que ainda sofre com a falta de iluminação, gerando insegurança.
Também apresentei solicitação de tapa-buracos e solução para esgoto a céu aberto na Rua Senhor dos Aflitos, próximo ao Centro Paroquial.
Destaco ainda a importância de encaminhar essas indicações diretamente aos secretários responsáveis, pois isso contribui para uma visão mais ampla das necessidades da cidade e auxilia na tomada de decisões.
Solicitei também limpeza, capina e desobstrução de calçadas na Rua 15 de Leônidas de Araújo, no bairro Cidade Nova.
E, por fim, uma indicação que considero essencial: o retorno do CRAS IV ao bairro Vila Brasil. Esse serviço já funcionou na região e hoje está mais centralizado, distante das áreas de maior vulnerabilidade. A política de assistência social orienta justamente o contrário — que esses equipamentos estejam próximos de quem mais precisa. Essa é uma demanda direta da comunidade.
Para encerrar, quero dizer que seguimos trabalhando com convicção.
Não se trata apenas de projetos, indicações ou discursos. Trata-se de pessoas. Trata-se de cuidar das pessoas.
E se Deus nos deu a oportunidade de estar aqui, é para isso que estamos: servir e cuidar.
Muito obrigado.
Vereadora Delma Pedra

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