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Salário e estabilidade pesam mais que home office na escolha profissional dos brasileiros, revela CNI

Salário e estabilidade pesam mais que home office na escolha profissional dos brasileiros, revela CNI

Data de Publicação: 8 de junho de 2026 17:04:00

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Pesquisa mostra que segurança no emprego e oportunidades de crescimento continuam sendo as maiores prioridades dos trabalhadores diante das incertezas do mercado.

Uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que os trabalhadores brasileiros continuam valorizando fatores tradicionais na construção da carreira profissional. De acordo com a 69ª edição da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira: Futuro Profissional, salários mais altos, estabilidade no emprego e oportunidades de crescimento são mais importantes para os profissionais do que benefícios como trabalho remoto e jornada reduzida.

O levantamento analisou quais características os brasileiros consideram mais relevantes para a profissão que desejam exercer nos próximos cinco anos. O salário aparece como o principal diferencial, citado por 28,7% dos entrevistados. Em seguida vêm a estabilidade no emprego (22,4%) e a perspectiva de crescimento profissional (20,1%).

A flexibilidade de horário foi mencionada por 19,3% dos participantes, enquanto a possibilidade de trabalhar em regime de home office foi apontada por 15,9%. Já a jornada reduzida foi considerada prioridade por apenas 9,8%.

Segundo a especialista em Políticas e Indústria da CNI, Claudia Perdigão, os resultados demonstram que a segurança profissional continua sendo um dos principais fatores na tomada de decisões sobre a carreira.

“Apesar do crescimento da discussão sobre benefícios não pecuniários, como home office e teletrabalho, os elementos mais tradicionais continuam sendo valorizados e orientando o trabalhador na consolidação de seus planos de carreira a médio e longo prazo”, afirma.

Obstáculos para alcançar a profissão desejada

A pesquisa também identificou os principais desafios enfrentados pelos brasileiros na busca pela profissão ideal. A necessidade de cuidar de familiares foi apontada como a principal barreira, citada por 16,1% dos entrevistados.

Outros obstáculos destacados foram a falta de formação ou qualificação exigida pelo mercado (12,7%), a dificuldade de acesso a informações sobre vagas disponíveis (11,9%) e a discriminação por parte de empregadores (8,3%).

Para Claudia Perdigão, esses fatores contribuem para aumentar a sensação de insegurança em relação ao futuro profissional.

“Esses elementos fazem com que o trabalhador tenha dúvidas sobre a concretização de seus sonhos e aspirações, levando a uma situação de incerteza quando pensa no médio e longo prazo”, explica.

Incerteza sobre o futuro profissional

O estudo mostra que 43% dos brasileiros não conseguem afirmar em qual profissão estarão trabalhando daqui a cinco anos. A insegurança é ainda maior entre trabalhadores de faixas etárias mais elevadas.

De acordo com a especialista da CNI, as rápidas transformações tecnológicas, especialmente o avanço da inteligência artificial, ajudam a explicar esse cenário.

“Existe uma grande incerteza sobre como as profissões vão responder a essas mudanças. Essa percepção de transformação iminente leva o trabalhador a refletir sobre sua trajetória e questionar quais caminhos deve seguir”, avalia.

Entre os entrevistados que conseguem projetar o futuro, 13,9% afirmaram que pretendem abrir o próprio negócio, principalmente em atividades ligadas ao comércio varejista e ao setor de serviços, como salões de beleza, bares e restaurantes.

Carteira assinada segue como preferência

Outro dado relevante da série de pesquisas da CNI mostra que o emprego formal continua sendo o modelo mais desejado pelos brasileiros. Mais de um terço dos trabalhadores ocupados que procuraram emprego recentemente afirmaram considerar a contratação com carteira assinada a opção mais atrativa.

A preferência é ainda mais forte entre os jovens de 25 a 34 anos, faixa etária em que 41,4% dos entrevistados apontaram o regime CLT como a modalidade ideal.

A brasiliense Gabriela Vale, de 29 anos, representa esse perfil. Após atuar remotamente em uma assessoria de comunicação, ela decidiu trocar o home office por uma vaga presencial com carteira assinada.

“O salário era apenas um pouco maior, mas os benefícios da CLT pesaram na decisão. Mesmo sendo um trabalho totalmente presencial, os benefícios e a segurança oferecida pela contratação formal fizeram a diferença”, relata.

Segundo Claudia Perdigão, os resultados confirmam que o conjunto de garantias e benefícios associados ao emprego formal continua sendo altamente valorizado.

Habilidades digitais ainda representam desafio

No campo da tecnologia, a pesquisa aponta que 54% dos brasileiros possuem nível alto ou médio-alto de habilidades digitais. No entanto, quando consideradas competências mais avançadas, como o uso de inteligência artificial, planilhas eletrônicas e configurações de programas e aplicativos, esse percentual cai para 44,5%.

Para os especialistas, os resultados revelam um mercado de trabalho marcado por contrastes: ao mesmo tempo em que muitos profissionais se mostram satisfeitos com suas ocupações atuais, as transformações tecnológicas aceleradas geram dúvidas e preocupações sobre o futuro.

A pesquisa reforça que, apesar das mudanças nas formas de trabalho e do avanço da digitalização, os brasileiros ainda enxergam na estabilidade, na remuneração e nas oportunidades de crescimento os pilares mais importantes para a construção de uma carreira sólida.

Fonte: Brasil 61

Geraldo Bomfim

Site Blog do Boka

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